Margaret Thatcher
Morre a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher
Do UOL, em São Paulo
“Thatcher foi a primeira e até agora única mulher a ser premiê no Reino Unido. Ela liderou os conservadores a três vitórias eleitorais, governando de 1979 a 1990, o maior período contínuo no governo para um primeiro-ministro britânico desde o início do século 19.”
“Na política, se você quer que algo seja falado, peça a um homem. Se quer que algo seja feito, peça a uma mulher” (1982)
Carliando o verso
Eu sei que a educação é a longo prazo, o amor raridade. Meus versos são nada perto dos seus e amigos. Por isso digo sempre, mesmo que em pensamento. Estou carliando o verso para que seja eterno.
Ana, a graça e, Carla, homem da terra.
A vida, o conhecimento e o aprendizado
Quatro elementos – Ana Carla
Mar aberto que vem de mim
são coisas assim
o lamento triste da chuva
que cai lá fora
as lágrimas recolhidas da dor
que virou dormência
um sentimento que é
a mas pura rebeldia
é verdade, alegria
Esse vento que a tudo derruba
a água que a tudo inunda
vem de mim
esse fogo que incendeia a tua alma
a terra que te suga
vem de mim
sou os quatro elementos
que se misturam e se equilibram
O botequim
O teatro metáfora
Artur Xexéo
Globo, 17 de Março, de 2013
“O que transforma uma ida ao teatro numa experiência inesquecível? Mas tenho certeza de que quem assistiu a “Botequim”, de Gianfrancesco Guarnieri, 40 anos atrás, passou por isso. Foi numa das salas mais simpáticas da cidade, o Teatro Princesa Isabel. Na época, ninguém reclamava de ir a teatros que não facilitavam o estacionamento. O Princesa Isabel ficava – ainda numa galeria da avenida movimentada de que emprestou o nome. Não havia sombra de estacionamento por perto. E suas 300 poltronas estavam sempre ocupadas. “Botequim” foi um estouro. E merecia ser.
O cenário de Arlindo Rodrigues era sensacional. Reproduzia um botequim tipicamente carioca, já na época, a gente não tinha mais. No palco, Oswaldo Louzada dava um show de interpretação. E ainda tinha Marlene, a cantora que, mais, uma vez, se revelava uma atriz e tanto. Tudo embalado pelas canções de Toquinho e do próprio Guarnieri. Na trama, os personagens ficavam presos num botequim durante uma tempestade. Era uma metáfora. Na época, a gente entendia direitinho o que significavam as metáforas.
A música falava “de olhos fechados”, ” risos trancados”, “bocas caladas”. Era a censura! Era o regime totalitário! Era a ditadura que aprisonava todos os botequins por aí. E a chuva não passava. “Medo, tenho medo, muito medo quando vem a vida e obriga a gente a se decidir”, cantava Marlene. Medo? Não havia dúvida: era uma metáfora! A platéia sabia muito bem do que tinha medo.
Isso tudo é para saudar a boa idéia de se remontar “Botequim”, 40 anos depois.O mesmo Antônio Pedro – agora, ele é Antônio Pedro Borges – está em frente do projeto, dirigindo um novo elenco que estréia no dia 21 no Teatro Caixa Cultural. Vai ser curioso ver a reação da platéia diante do texto. Será que ele resistiu ao tempo e ainda diz alguma coisa a um público que não está acostumado a metáforas? Servirá a um teatro que não precisa de metáforas? Haverá uma leitura da peça retirando-se a metáfora de seu conteúdo?
O próprio Guarnieri definia “Botequim” como parte de seu “teatro de ocasião”. Outra de suas peças do gênero era “Um grito parado no ar”. Segundo ele mesmo, era um teatro que “não faria se não fossem as contigências”. Que não corresponde, exatamente ao que eu, como artista, estaria fazendo. Agora, como artista, eu também verifico minha realidade, e sei até quando, até onde e como a gente pode dizer e fazer as coisas.”
Implico um pouco com a decisão de as letras de Guarnieri terem recebido nova versão musical de Gabriel Moura, eliminando-se o trabalho original de Toquinho. Por quê? No mais, torço pela iniciativa de trazer a novas gerações um dos trabalhos mais significativos de um dos mais representativos dramaturgos brasileiros e que, inexplicavelmente, é tão pouco montado atualmente – há mais de dez anos, uma peça de Guarnieri não é vista no Rio.
Os envolvidos na montagem atual não têm que carregar nas costas o peso do clássico da década de 70. Os tempos são outros. O teatro mudou. “Botequim” tinha um título alternativo: Céu sobre a chuva.” Não temos mais ditadura. Mas ainda tem muita chuva lá fora. Resta saber se a gente ainda tem fé para encontrar um céu sobre ela.”











































